24-06-2010

No último post falei que a gente ia casar… e casamos.
Não poderia ter sido mais nosso. Meu dia começou cedo, eu levantei da cama as 05:40 porque tinha tanta coisa na minha cabeça que eu não conseguia mais ficar deitada. Olhei para o lado e Léo dormia tranquilo, até o invejei um tanto, Léo é tão calmo, queria um pouco mais dessa tranquilidade pra mim.
Peguei o note, selecionei algumas músicas que eu queria que fizesse parte daquela manhã tão gostosa.. gravei um cd que não funcinou depois, mas, ele tá lá, faz parte desse dia também.
Minha mãe chegou cedo, começou a me ajudar com as coisas de casa, com a mala, e quando eram 6:30 o maquiador chegou. Super adiantado, corri pra tomar banho. Léo foi buscar alguma coisa pra comer na padaria, e logo chegou a Sharon.
Eu tinha falado pro Marcelo que eu queria algo natural, meu cabelo muito parecido com o dia a dia e a maquiagem muito discreta, e eu não poderia ter tido melhor maquiador.
Fiz um chimarrão pra acalmar um pouco, e pronto, sentei e deixei o dia acontecer.
Quando ele terminou, fui ver no espelho, não tinha como ter sido mais minha cara o cabelo, nem a maquiagem, nem o vestido, nem o sapato, nem a fotógrafa, nem o noivo.
A correria da hora de sair chegou, e lá fomos nós pro cartório que é pertinho de casa.
Nossos convidados eram óbvios, os pais, os irmãos, meu primo e minha amiga que fazem parte de mim.
Esperamos, chegou nossa hora,  e durou 2 minutos tudo. Assinei como Marcela Silva Sanches de Lima. Alianças trocadas, abraços de todos. Acabou ali. Passou rapidinho, assim como imaginei que seria.
E ai veio a parte que eu também esperei muito… a sessão de fotos. Fomos pra um mini parque que tem ali na Chácara Sto Antonio, quase ninguém conhece, mas eu sabia que ali seria perfeito. Com o marido fotógrafo, apesar de termos muitas boas fotos, nunca tivemos as fotos merecidas pra tanto amor que temos, e esse foi o presente que eu queria pra nós. A Sharon como fotógrafa/amiga que amamos profissional/pessoal rs, sabe o suficiente da nossa vida, da nossa história, do nosso amor pra poder fazer aquele momento ser especial como eu queria que fosse. Passamos a manhã ali, com carinho, com beijo, um momento nosso, era a realização dos passos que nos fizeram chegar até ali.
Eu era feliz, minha vida até ali tinha sido como eu pensava, cercada de amor, de Léo. Nao sabia que existia felicidade maior, e existe. Eu consegui superar minha própria felicidade, eu consegui superar meu amor, meu sorriso, minha vida. Eu era do Léo e ele era meu.
Fomos na escola onde nos conhecemos assim como eu tinha imaginado quando pensei nessas fotos, cheio de alunos “smurff”, e depois casa pra sentar no quintal e deixar nossos pequenos lamberem, e sentirem a felicidade junto, eles são afinal de contas, a extensão da família que estamos construindo, nossos bulldogs gordos.
O casamento foi assim. Simples assim, mas tão nosso, que nem se eu tivesse planejado uma festa com 500 pessoas teria sido tão perfeito. Eu casei como eu esperava, como eu queria, com quem eu sempre sonhei. Foi nosso.
A lua de mel foi a extensão desse dia tão único. Passamos 4 perfeitos dias num lugar perfeito. Passamos o tempo do avião com cruzadas e boas risadas.
Mas nada disso tudo teria sentido sem ele. Que faz cada segundo da minha vida valer a pena, que segue qualquer caminho ao meu lado, que me apóia, me suporta, me ama. Sem ele que me dá colo, que me entende, que faz meu café todos os dias.
Eu sempre pedi a Deus pra ser feliz, mas o que eu tenho eu sei que é além disso, eu tenho o amor, da forma mais completa que uma pessoa pode ter.
Baby, func<<.

Vim hoje sendo eu. Sem querer escrever bonito, apenas escrever. Faltam 48 horas pra gente casar, é eu vou casar.
Não vai ter festa, não vai ter religioso, vai ter o civil, vamos lá, assinamos, colocamos a aliança escolhida com tanto carinho nos dedos, e colocamos o pé pra fora devidamente oficializados. Ontem eu fiz um convite, pq amigos muito próximos fizeram questão de ir, e ao invés de mandar o endereço e só, eu escrevi algo bonitinho com endereço, dia e hora. Ali tá escrito assim: cumplicidade e amor nos trouxeram até aqui, agora é o momento de oficializar esse caminho que escolhemos seguir…
Eu não poderia ser mais sincera nessas palavras. Eu e ele sabemos de cada passo que demos, cada decisão juntos, e o que nos trouxe até aqui, até esse dia. Erramos, acertamos, caimos, levantamos. A gente construiu nossa história. 
Tivemos carinho pra escolher os poucos detalhes, a aliança, a roupa, e ainda ganhamos uma lua de mel que com sol ou chuva sei que será inesquecível.
No dia que fomos lá no cartório, levamos as mães, que nos conduziu até nosso caminho cruzar, e não poderia ter melhores testemunhas que essas. Todos perguntaram: mas por que a pressa? Pressa? Não, não teve pressa, apenas decidimos, apenas pensamos e gostamos da quinta-feira dia 24. É um dia par, no mês par, no ano par. Sai de lá com um frio na barriga, bobeira de menina que pensa, meu nome vai mudar tudo. É só um detalhe, mas vai mudar. Eu quis, ele quis e assim decidimos.
Faltam 2 dias, que vão passar rápido, e daqui a pouco é a hora. E sei que lá, vão estar as pessoas que nos amam, assim como a gente é. Os que não podem estar pessoalmente estarão na torcida, no pensamento, esses que nos ajudaram, que nos incentivaram, que viu alguma fase, que esteve com a gente em algum momento desses 5 anos e um tanto.
Eu to feliz, aquela felicidade que não cabe no peito, que dá vontade de ficar pulando e gritando. Mas com ele, eu aprendi a ser menos ansiosa. E vou aproveitar esse pouquinho que falta da melhor forma. Ficando com ele, na nossa casa, com nossos cães.

(L)

Na vida existem sonhos que devemos deixar na gaveta pra um dia lembrar que eles existiram.
Tem sonhos que parecem tão próximos, e em segundo, percebemos o grande abismo que nos separa dele.
Ás vezes conseguimos alguns pequenos. Uns aqui, outros ali. Mas os grandes? Eles dependem desse mundo real que vivemos cheio de dificuladade.
Eu tenho poucos. Alguns me apertam o coração com medo de saber se um dia vou poder tirar da gaveta. Outros eu sei que lá vão ficar.
A gente aprende a trocar de sonho, a substituir, mas lá no fundo, vou sempre ver aquele outro, com os detalhes, as flores, o cheiro.
E assim, em passos eu vou vivendo, sonhando, acordando, morrendo.

A história dos três mundos. Sonhos de Einstein.

“19 de aril de 1905
 
É uma manhã fria de novembro e caiu a primeira neve. Um homem vestindo um longo casaco de couro está na sacada do seu apartamento no quarto andar na Krangasse observando a fonte Zähringer e a rua branca logo abaixo. A leste, ele pode ver o frágil campanário da catedral St. Vincent e, a oeste, o telhado arqueado do Zytgloggeturm. Mas o homem não está olhando para leste ou oeste. Ele está com os olhos fixos em um pequeno chapéu vermelho deixado na neve, e está pensando. Deve ir à casa da mulher em Friburgo? Suas mãos agarram a balaustrada de metal, soltam-na, agarram-na novamente. Deve visitá-la? Deve visitá-la?
Decide não se encontrar mais com ela. Ela é manipuladora e autoritária, e poderia tornar sua vida um inferno. Talvez nem estivesse mesmo interessada nele. Em vez disso, ele decide continuar na companhia de homens. Trabalha duro na farmácia, onde mal nota a subgerente. À noite vai para a brasserie na Kochergasse com seus amigos e bebe cerveja, e aprende a fazer fondue. Depois, três anos mais tarde, conhece uma outra mulher em uma loja de roupas em Neuchâtel. Ela é simpática. Fez amor com ele muito, muito lentamente, durante alguns meses. Após um ano, vem morar com ele em Berna. Eles vivem tranquilamente, caminham juntos à margem do Aare, fazem compahia um ao outro, envelhecem felizes.
No segundo mundo, o homem com o longo casaco de couro decide que precisa encontrar a mulher de Friburgo novamente. Ele mal a conhece, ela pode ser manipuladora e seus movimentos sugerem volatilidade, mas aquela expressão suave quando ela sorri, aquela risada, aquele jeito inteligente de usar as palavras. Sim, precisa encontrá-la de novo. Ele vai até a casa dela em Friburgo, senta no sofá ao sei lado, em poucos instantes percebe seu coração galopando e sente-se minado diante da brancura dos braços dela. Eles fazem amor ruidosa e apaixonadamente. Ela o convence a mudar-se para Friburgo. Ele larga seu emprego em Berna e começa a trabalhar na agência postal de Friburgo. Ele queima de tanto amor por ela. Todo dia, ele vem para casa ao meio-dia. Eles comem, discutem, ela reclama que precisa de mais dinheiro, ele protesta, ela arremessa panelas contra ele, eles fazem amor novamente, ele volta à agência postal. Ela ameaça deixá-lo, mas não o deixa. Ele vive para ela, e está feliz com sua angústia.
No terceiro mundo, o homem também decide que precisa encontrá-la novamente. Ele mal a conhece. ela pode ser manipuladora e seus movimentos sugerem volatilidade, mas aquele sorriso, aquela risada, aquele jeito inteligente de usar as palavras. Sim, precisa encontrá-la de novo. Ele vai até a casa dela em Friburgo, encontra-a na porta, toma chá com ela na mesa da cozinha. Eles conversam sobre o trabalho dela na biblioteca, o emprego dele na farmácia. Depois de uma hora ela diz que precisa sair para ajudar um amigo, diz adeus, e eles se despedem com um aperto de mãos. Ele viaja os trinta quilômetros de volta a Berna, sente-se vazio durante a viagem de trem, sobe para seu apartamento no quarto andar na Kramgasse, vai para a sacaada e fica olahdno o chapéu vermelho deixado na neve.
Estas três cadeias de eventos realmente acontecem, simultaneamente. Pois, neste mundo, o tempo tem três dimensões, como o espaço. Assim como um objeto pode mover-se em três dimensões perpendiculares, horizontal, vertical e longitudinal, um objeto também pode participar de três futuros perpendiculares. Cada futuro move-se em uma direção diferente do tempo. Cada futuro é real. Em cada ponto de decisão, seja ela visitar uma mulher em Friburgo ou comprar um casaco novo, o mundo se divide em três mundo, cada qual com as mesmas pessoas mas com destinos diferentes para elas. No tempo, há uma infinidade de mundos.
Alguns não se importam com decisões, argumentando que todas as decisões possíveis ocorrerão. Em um mundo como este, como pode uma pessoa ser responsável por seus atos? Outros afirmam que cada decisão deve ser examinada e tomada com espírito de comprometimento, pois sem comprometimento há caos. Essas pessoas são felizes por viverem em mundos contraditórios, desde que saibam a razão para cada um deles.”
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Mudou em mim a forma de entender a vida. Verdade ou não, me conforta pensar que existem milhões de mim fazendo exatamente aquilo que eu quis de uma forma ou de outra.
Existe eu matemática, professora, loira, ruiva, morena, menos cansada, mais cansada, mais teimosa, menos implicante, com mais erros, mais acertos.
Existe um beijo não dado, uma palavra não dita, uma dança, um olhar,
Existe o depois do café de hoje.
Isso me faz seguir sem arrependimentos.
Confesso, eu quero 2 horas nesses mundos paralelos. 2 horas pra lembrar de ter feito.
Mas de todas esses outros mundo, sei que esse que aqui escrevo, é o das escolhas mais minhas, mais Marcela.
Tudo isso é meu complemento.
E a coincidência: 19 de abril, é meu aniversário.

boca

ela então se sentia com os olhos vendados. encostada em uma parede ela ouvia aqueles passos de longe e pensava: é ele.
ele a levou correndo, no tumulto a olhou, se aproximou (…)
a respiração era forte demais até para o barulho da rua. (…)
quando chegou no canto, ela pode então tocar a boca que tanto desejava, e quando o fez tudo se resumiu ali, no beijo, na falta de folego, no toque. 
(…)
nada mais sentia.
(…)
te espero. ele a esperou no carro. era a boca, só podia ser.
o olhar era penetrante. cada vez que ela o via de longe uma risada surgia em seu rosto, aquela boca.
(…)