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{Esse post é longo, foi difícil de escrever, tá meio sem ordem porque eu queria escrever muitas coisas, mas no fim, ele tá como deveria e exatamente como eu me sinto grávida: com um monte de coisa/sentimento acontecendo ao mesmo tempo}

Tem um tempo que tô querendo vir aqui e escrever. Mas talvez só hoje que consegui formular melhor dentro de mim tudo que está acontecendo.

Há um pouco mais de 100 dias eu descobri que tem uma pessoinha crescendo dentro de mim. Assim, completamente de surpresa. Eu interpretei como se o universo tivesse decidido pra mim minha eterna questão de ser ou não mãe. E continuar grávida foi uma escolha. Escolhi ter esse bebê, escolhi ser mãe.

No meio dessa mudança já grande na vida, veio uma outra, a proposta de mudar de cidade, onde não conhecemos ninguém, nem nada. Escolhemos mudar. Léo disse que o bebê veio pra mexer a vida da gente. Acredito que ele esteja certo.

Mas além de todas essas mudanças externas, vem a maior de todas, o que está acontecendo comigo. E não digo só da barriga crescendo, da falta de controle que tenho do meu corpo, do sono incontrolável, dos enjoos intermináveis, de sentir um bebê se mexendo todo dia dentro de mim. Eu digo da minha transformação como pessoa, de me aceitar diferente, fora do controle de mim mesma, me conhecendo novamente.

A gente se mudou tem quase duas semanas. E a primeira semana aqui foi intensa. Foi correria com documentos, consulta com a parteira, procurando casa, e além de tudo, se adaptar a um outro Canada. A verdade é que por 5 anos não estivemos no Canadá, a gente tava mesmo no Quebec. Parece bobeira dizer isso, mas não é. Tudo é diferente, os processos, a vida, as pessoas.

Durante essa primeira semana eu fiquei no meu canto. Eu respirei fundo incontáveis vezes, me perguntei se foi a decisão certa, senti falta dos meus amigos, da minha família, e fiquei tentando entender todos os sentimentos e como eu respondia a cada um deles.

No começo da segunda semana eu consegui me achar de volta. Só então eu decidi abraçar e aceitar de verdade tudo isso que está acontecendo comigo nesse momento.

Consegui entender que a mudança veio sim na hora certa. Estar grávida é complexo. Ao mesmo tempo que é algo bonito, é um monte de sentimento novo, e da medo pra caramba.

Eu estava me preparando há anos pra ser mãe e nem sabia. Eu lia blogs, reportagens, seguia paginas, tudo que falava sobre maternidade real, sobre parto natural, amamentação, sobre ser mulher, sobre parir. Leio tudo isso há tanto tempo, que talvez por isso quando escolhi ser mãe eu sabia o que eu queria pra gente. Mas, nem toda leitura do mundo te prepara para tudo que você sente.

Pra mim começou pela total perca de controle do meu corpo e personalidade. Eu, que nunca tive sono, hoje durmo 12 horas no dia sem nenhum esforço, e ainda tiro um cochilo no meio da tarde. Fome? Muita! Consigo comer? Não. Tenho enjoos bizarros, e teve dias que tudo que eu consegui comer foi melancia. Marcela que é mega controlada e não demonstra sentimentos? Sumiu! Já chorei no trabalho, já chorei com amigos, já tive crise de existência, já chorei no trailer do Star Wars. Marcela inteligente, melhor aluna/funcionária? Esses dias tive que usar calculadora pra fazer multiplicação. Gente, BABY BRAINS EXISTE.

Tem o medo de me perder. Como pessoa, como mulher, como tudo que eu sou. Mas pra isso tem a terapia, e a melhor terapeuta que me fez entender um pouco mais todo esse processo dentro de mim, e me fez aceitar ainda mais esse momento da minha vida.

Dai vem o mundo externo.

Tem pessoas que se afastam, pessoas que te criticam, pessoas que não entendem nada do que você tá passando, nem mesmo se você quiser explicar. E isso é um processo difícil e mais triste que o normal. Me faz questionar, ver pra onde estou indo, as escolhas que estou fazendo.

Mas dai tem também pessoas que te abraçam, te cuidam, te amam e estendem esse amor pra esse serzinho tão pequeno. Pessoas que te abraçam forte, que te dizem que tá tudo bem. E aí você sente lá no fundo que tá realmente tudo bem.

Tem todo mundo querendo dar opinião sobre qualquer coisa que eu não perguntei. Ah mas parto natural? Amamentação? Mas nossa, ter parto em casa? Doula? Mas já sente mexer assim tão cedo? Como assim não quer saber o sexo? Mas isso, e aquilo e mais tudo que vocês possam pensar. Estar grávida aparentemente é abrir sua vida toda para as pessoas falarem o que quiserem, mesmo se você não abriu porra nenhuma. {Obrigada a Tchulim, pelo malavilhoso vídeo da Cara de Alface que me faz seguir em frente e continuar tendo pessoas na minha vida sem querer matar todo mundo}

E ai tem o amor.

Um amor pela família que eu e Léo estamos construindo que é algo muito, muito maluco. Eu me sinto cuidada, amparada, amada. Léo me faz lembrar que eu posso chorar, me sentir triste, feliz, posso tirar sonecas no meio da tarde, ou ficar jogando Zelda até cansar, que eu posso sim ser egoísta e pensar só em mim e no bebezin. {Não vou fazer uma declaração enorme pra vc Baby, pq to te falando TODOS OS DIAS tudo que preciso, mas obrigada por tudo}

Em novembro bebezin chega por aqui, queremos supresa pra saber o sexo, já tem dois nomes definidos, e estamos estudando, conversando e pesquisando tudo o que a gente acredita que seja melhor pra gente como família.

A gravidez não é tão legal, mas o dia que eu vi um bebê de verdade no ultrassom, foi sem dúvida o dia mais indescritível da minha vida.

Esse texto eu demorei uns 5 dias pra terminar. Sem exagero.

E espero que o próximo não demore tanto, porque escrever me ajuda a organizar todos esses sentimentos que existem em mim. {como já disse minha amiga semana passada}

Muitas mudanças, muita coisa acontecendo, e eu sei que ainda é só o começo.