Até já.

Hoje foi dia de dizer uma até logo pra esses dois, meus pais que tanto amo, e agora também os avós do Marvin.

Parece bobo falar, mas é muito verdade que quando temos filhos a gente tenta melhorar ainda mais. Eu já vinha tentando me entender melhor como pessoa faz tempo, mas desde que o Marvin tava crescendo em mim, eu tento ainda mais entender meus medos, ansiedades e falhas, pra que eu possa ser uma pessoa melhor, e consequentemente uma mãe melhor também. Óbvio, não quero ser uma pessoa perfeita, isso nem existe.

Bom, eu to dizendo tudo isso, porque eu sou uma pessoa extremamente fechada. Eu não sou de abraçar, de beijar, de ficar falando eu te amo. E esse sempre foi um medo enorme com meu filho, de eu não ser carinhosa. E sei que meus pais sentem falta disso, como não sentir, né? E aí eu tava com uma angústia enorme essa semana por saber que eles estavam voltando pro Brasil e eu não tinha dito pra eles tudo que eu queria e nem demonstrado de alguma forma.

Eu finalmente consegui ontem dizer pra eles tudo que eu queria. Dizer pra eles o quanto tê-los aqui comigo desde outubro foi essencial, o quanto eu os amo, o quanto sou grata por tudo, tudo que eles fazem por mim e pela minha família, e principalmente, o quanto vou sentir falta deles aqui.

Foram 3 meses que a gente pode se dedicar totalmente ao Marvin, e todo dia tinha comida fresca, roupa e casa limpa, água fresca pra mim enquanto eu amamentava, um lanchinho da tarde sempre pronto, quantas vezes não dormimos durante a noite, e de dia a gente conseguia descansar porque esses dois ficavam com o Marvin. Enfim, era muito amor em todos esses pequenos detalhes.

Mãe e pai, só quero que saibam que eu sou grata por ter vocês como meus pais, e que eu os amo muito, muito mesmo. Obrigada por estarem aqui, por terem me apoiado e ajudado tanto no parto e também nesses 3 meses, e por nos dar tanto amor.

Essa é a parte da imigração que as vezes chega a doer, ficar longe de quem se ama.

2017

Último dia do ano mais marcante da minha vida, o ano que meu filho nasceu.

Esse post é rapidinho, só pra lembrar de agradecer por tudo que aconteceu nesse ano, e foram tantas coisas.

Começamos o ano com uma mini férias, cheia de imprevistos, mas cheia de histórias pra gente contar pra vida toda.

E aí logo em fevereiro veio a notícia que ia mudar pra sempre nossa vida, eu estava grávida.

Depois veio a mudança de cidade, no trabalho, a barriga crescendo, a gente descobrindo uma vida nova.

Muita preguiça na frente da TV, muito videogame, muitos jantares, muitas risadas, muito amor.

E aí chegou o dia de conhecer nosso pequeno, e um mundo novo se abriu.

Sei de pouca coisa nessa vida, mas sei que o Marvin veio pra nos ensinar algo grande, forte e profundo.

Para o próximo ano só quero que a gente continue tendo amor, que nossa família continue unida, e que muitos sonhos se realizem.

Vem 2018, vem que eu to pronta pra viver novos dias ❤️

{Meu relato de parto}

[Eu nem tentei deixar esse texto pequeno, eu tentei colocar aqui todo o processo pra chegar onde chegamos, e tudo que senti naquele dia. Vai ser textão.]

Eu ainda estou tentando assimilar tudo que aconteceu no dia do meu parto. A verdade é que é o dia mais intenso e mais lindo que aconteceu na minha vida.

ANTES

É engraçado, lembro que quando descobri que tava grávida, eu sabia que queria um parto natural, mas eu nunca tive o que tantas chamam de um “parto dos sonhos”. Eu só queria que meu filho viesse ao mundo no tempo dele, sem nenhum tipo de droga, e se possível, fora de um hospital. Basicamente era isso.

A gente ainda morava em Montreal, e lá eu estava lutando pra conseguir uma casa de parto, já que eu não acreditava que nossa casa era adequada pra isso. Com a mudança pra Oshawa, e na nossa nova casa, eu não tinha mais dúvidas: eu queria um parto em casa.

Aqui no Canadá tenho a opção de fazer o acompanhamento da gravidez com o obstetra ou com as midwives (que são tipo as enfermeiras obstetras no Brasil), e assim que chegamos eu fui atrás de achar uma midwife pra chamar de nossa. Marquei duas consultas em locais diferentes, e quando chegamos na segunda consulta, saímos de lá com a certeza que tínhamos encontrado quem ia acompanhar a gente. Nós ficamos então no team 6, com a Shannon e a Alexia.

Pensando hoje, minha gravidez foi linda. Eu já to com saudade de estar grávida, juro! Tirando o enjoo que durou até praticamente o sétimo mês, e as dores normais de gravidez (lombar, pé da barriga, cansaço eterno), tudo ocorreu bem, tanto comigo quanto com o Marvin.

Lá no finalzinho, veio uma preocupação, no exame de sangue vimos que meu nível de ferro no sangue estava baixo, e se continuasse como estava, as midwives não recomendavam mais o parto em casa por risco de hemorragia. O mais legal de tudo isso, é que apesar de elas não recomendaram, a escolha final é sempre minha.

Bom, foram semanas tomando suplemento de ferro, e com alimentação focada em melhorar meu nível do ferro, e no último exame, chegamos ao que elas falaram de “nível aceitável” para o parto em casa.

As semanas foram passando, nossas consultas começaram a ser semanais, parei de trabalhar com 38 semanas, meus pais chegaram, e dia 5 de novembro, a data prevista de parto, ia se aproximando.

Na última consulta antes da data prevista, a Alexia nos explicou o que aconteceria caso ele não nascesse até 41 semanas e 3 dias. Uma longa conversa sobre possíveis induções e aí, meu plano de ter em casa não funcionaria mais.

Passei a conversar e explicar pro Marvin tudo isso. Lembro de um dia naquela semana sentada sozinha eu falar pra ele que eu queria muito que ele viesse no tempo dele, mas que se ele continuasse ali até dia 15 de novembro, eu teria que ajudar um pouco.

Dia 30 de outubro tivemos consulta, e fizemos o deslocamento de membrana, que nada mais é que um método mais natural de ajudar a induzir o parto. Se o bebê estiver pronto, o procedimento ajuda a iniciar o trabalho de parto, se ele não estiver pronto, é só um procedimento bem doloroso mesmo. E foi só isso, uma dor horrível. Marvin não tava pronto ainda.

Chegou dia 4. Tive algumas contrações de treinamento, bem espaçadas e com durações diferentes. Liguei pra Alexia, falei como estavam as contrações, e ai ela me falou que estava doente, e que caso eu entrasse em trabalho de parto aquele dia ou no dia seguinte, eu teria outra midwife, porque ela infelizmente não poderia vir (a Shannon estava de férias). Fiquei com medo, mas óbvio que entendia a situação. Tomei um bom banho de banheira, e as dores foram embora. Ainda não era o trabalho de parto.

Dia 5 chegou, 40 semanas. E foi um domingo como outro qualquer, uma barriga enorme, dores leves, expectativa, e só. A noite foi chegando e eu percebi que o Marvin não queria dividir o dia dele com ninguém (o avô do Léo e meu tio fazem aniversário dia 5).

[auto retrato no dia 5, que saudade da minha barriga!]

Eu já tinha consulta agendada pra segunda dia 6 no período da tarde, e logo de manhã me ligaram pra remarcar pra dia 7, porque a Alexia continuava doente. Então tá, vamos lá pra mais um dia grávida. E esse foi meu último dia grávida do Marvin.

DURANTE

Acordei com um susto enorme, e vi que eu tinha molhado toda a cama. Léo, acorda, minha bolsa estourou. Olhei no relógio, era 2:45 da manhã. Respirei fundo, mandei a ansiedade embora, eu sabia que isso não era necessariamente um sinal de que o Marvin estava chegando. Eu poderia esperar mais 4 dias inclusive. Mas logo em seguida eu senti uma dor forte. Baby, isso foi uma contração! Bora começar a monitorar. Uma hora monitorando, contrações a cada 3 minutos, com duração de 1 minuto. A gente só liga pra midwife quando estamos com contrações por uma hora a cada 5 minutos e com 1 minuto de duração, o famoso 5:1:1. Bom, acho que tá na hora de ligar. Ligamos. Lembro vagamente do Léo falando com a Alexia, e ela pediu pra falar comigo, me perguntou como estavam as dores, pra mim elas estavam fortes, bem fortes. Ela nos disse então que estava a caminho.

As contrações doem. Uma dor única, forte, intensa. Mas eu tava preparada pra elas. Eu soube respirar, soube encarar uma de cada vez sem pensar na próxima. Eu dormia entre cada contração, sim, dormia! Lembrei dos exercícios de respiração, e pensava o tempo todo sem parar: eu sei parir e meu filho sabe nascer, I’m the one with the force and the force is with me. JURO, esses foram meus lemas durante meu parto. Talvez eu seja fã de Star Wars, talvez.

Comigo o tempo todo eu tive o Léo, que me deu força, me incentivou, não me deixou desistir, me deu ombro pra dormir, aguentou cada contração do meu lado, e me lembrou o tempo todo o que eu precisava lembrar: eu ia conseguir! E também minha mãe, que me fez massagem, me dava água, amor, e força. Meu pai também estava em casa, mas ele só aparecia as vezes, me dava um beijo e um cheiro, e saia. Eu sabia que pra ele não ia ser tão fácil me ver com dor.

[eu dormindo entre contrações, e Léo me dando toda a força que eu precisava ❤️]

Eu entrei na tal da partolândia bem no começo. Lembro de tudo meio espaçado, e tem coisas que nem me lembro, que eles falam, e eu acho que ouvi ou vi, mas não tenho a lembrança clara na minha cabeça. Eu só tenho a lembrança de sentir o Marvin chegando. Ele realmente estava chegando. Me conectei com meu corpo e com meu filho, entrei realmente num mundo que era só meu e do Marvin. Faltava muito pouco pra tudo que eu tava vivendo nos últimos 9 meses se tornar real, pra gente ver a carinha dele, que eu nunca consegui imaginar como fosse.

Alexia chegou por volta de 5 da manhã. Checou minha pressão, batimentos do bebê, tudo certo. Vamos ver como tá a evolução? Vamos! 2 a 3 centímetros. Eu sabia que ainda era bem pouco. Não fiquei chateada, faz parte do processo. Ta tudo bem. Eu ainda não estava em parto ativo que é a partir de 5cm. Ela nos disse então que ia esperar com a gente mais uma hora pra ver se evoluía. Pra mim o tempo parecia estar diferente. Era mais rápido e ao mesmo tempo devagar, bem sem explicação mesmo. Sei que ela voltou pra me checar de novo, e eu ainda estava com a mesma dilatação. Ela falou que ia embora e que era para o Leo ligar de novo quando minhas contrações ficassem mais “verbalizadas” ou quando ele visse algum sangue.

E as contrações ficaram diferentes mesmo. Eram mais intensas, parecia bem mais difícil de me concentrar. Eu sei parir, meu filho sabe nascer. I’m the one with the force and the force is with me. Comecei a verbalizar cada contração, não conseguia só respirar fundo, eu tinha que gritar, que chorar, que mudar de posição. Léo diz que eu até pedi pra desistir, pra me levar pro hospital e me dar anestesia, mas eu não lembro, o que é bem bizarro, porque só lembro de pensar que eu ia conseguir.

E ficamos nisso um bom tempo. Eu não tinha ideia de que horas era, ou de quanto tempo eu estava ali. Vi amanhecer, lembro de as vezes ver as pessoas comendo, falando, mas eu não estava realmente presente.

No meio de uma contração ouvi minha mãe avisando o Léo que tinha sangue. Liga pra Alexia, avisa que tem sangue, ela fala comigo, eu mal conseguia falar, eu tinha a impressão que não tinha mais intervalo entre uma contração e outra. Ela disse que estava voltando pra me checar.

Eu não tinha expectativa nenhuma. Quando ela chegou, depois de checar os batimentos do Marvin, ela me pediu pra ver como estava a evolução e eu lembro de já esperar que ela falasse 4cm, porque apesar da dor ter ficado mais intensa, na minha cabeça poderia ser muito pior. E aí veio a boa notícia, eu já estava com 8 a 9cm de dilatação. Eu ri e sorri, eu chorei. Eu fiquei feliz, aliviada, meu corpo todo relaxou, e pra mim algo que parecia uns 10 minutos depois, eu comecei a sentir vontade de fazer força. Alexia me pediu pra esperar, ela já tinha ligado pra midwife extra (sempre é uma pra mãe, e uma pro bebê, que só vem quando já tá quase na hora de nascer), e ela começou a preparar tudo. Isso era por volta de 9:30 da manhã.

Eu tava muito preparada para as contrações. Mas eu não estava nada preparada para o expulsivo. Quando as outras midwives chegaram, e a Alexia me disse que eu poderia fazer força quando sentisse vontade, eu vi que eu não entendia direito onde fazer a força. Comecei a ter vontade e a tentar empurrar, mas era muito confuso pra mim onde eu tinha que concentrar a força.

Tentei diferentes posições e nada era confortável. Comecei a ficar cansada, bem cansada. As dores mudaram, eu sentia o Marvin, mal conseguia fechar a perna, minha sensação é que ele tava quase saindo.

Depois de tentar empurrar muito ainda na cama, e sem sucesso, Alexia sugeriu que eu saísse dali, fosse para o chão. O problema era me movimentar no meio das dores, daquela vontade de fazer força e no meio de tanto cansaço. Eu tava exausta! Fui para o chão, tentei ficar em pé, de cócoras, tudo sem sucesso. Eu me sentia muito fraca pra tudo. E ai deitei ali no chão mesmo, e a Alexia começou a me instruir em como respirar, como fazer força e como segurar meu corpo em cada contração que vinha.

Pra mim tudo aquilo era de longe a parte mais difícil. Mas, em uma das forças a Alexia me falou, Marcela, eu to vendo a cabeça dele, mas quando a contração acaba ele tá voltando, você precisa fazer mais força! Acho que se teve algum momento que duvidei realmente se eu ia conseguir, foi esse. Eu não tinha mais energia, estava realmente esgotada. Mas, eu continuei, tentei fazer tudo que ela me falava.

Hora de verificar os batimentos do Marvin. Os batimentos estavam ficando mais fracos, e eu sabia que ou ele nascia, ou eu ia ter que ser transferida para o hospital. A Alexia me olhou e falou: ele precisa sair agora! Eu tentei, e tentei de novo. Fazia força, tentava seguir as instruções, mas não conseguia. E aí ela me falou a palavra que eu mais tive medo durante toda minha gestação: episiotomia. Meu filho precisava nascer aquele momento. Foi necessária e aconteceu. E logo em seguida, as 12:54 da tarde do dia 7 de novembro, após fazer força mais uma vez, eu pude ver e sentir o meu bebê. Com 3.500g e 51cm, o Marvin nasceu.

DEPOIS

Nada no mundo pôde me preparar para o momento que vi meu filho pela primeira vez. Eu consegui. Eu pari. Ele era lindo, igual o pai dele. Um bebê grande, cabeludo e bochechudo. Nosso filho.

Ele chorou um pouco, falei pra ele que tava tudo bem e que eu o amava. Ele ficou em cima de mim, e ele tinha o melhor cheiro que eu já tinha sentido na vida, quase que viciante. Depois que o cordão parou de pulsar, Léo cortou, e ficamos ali, no meio de todo mundo, mas parecia que era só eu, o Léo e o Marvin. Como a gente conseguiu fazer aquele bebê tão perfeitinho? Pra mim existiu um amor que nasceu naquele momento. Um amor que eu nunca tinha sentido antes, profundo, incrível. Ele era o bebê mais lindo que eu já tinha visto na vida, e ele era meu, tinha saído de mim, e tava segurando meu dedos com a mãozinha fofa dele.

Depois da placenta sair, saímos do chão, fomos pra cama. Marvin fez a pega certinha, e fez um mamazão, o primeiro dele. Mas sobre amamentação e puerpério, vou tentar fazer outro post.

Parir é poderoso. Eu fiquei me sentindo como se tivesse poderes. Meu corpo pode tudo! Ser mulher é maravilhoso mesmo. Parir dói, cansa, mas juro, eu pensei que seria bem pior do que realmente foi. Eu tive meu parto natural e em casa como eu quis. E tive durante o tempo todo apoio e amor do Léo, fizemos isso juntos, e como durante toda minha gravidez, no parto também não me senti sozinha em nenhum momento.

Falei pra todo mundo enquanto Marvin mamava aquela primeira vez, que eu vou ter outro filho. Sem nem saber direito o que vinha e ainda vem pela frente, quero passar por toda essa sensação de novo.

Quando penso nas coisas que eu queria que fossem diferentes, penso que eu deveria ter me preparado mais para o momento de fazer força assim como me preparei para as contrações. A episiotomia foi difícil pra eu aceitar, mas entendi que foi necessária, e hoje, completamente cicatrizada, vejo que não foi nada demais, que não ficou nenhuma marca, e principalmente, que não foi uma violência obstétrica. E também me arrependo de não ter contratado uma fotógrafa pra esse dia, tenho pouquíssimas fotos, porque nosso plano do Léo fotografar obviamente não funcionou.

Demorei bastante pra conseguir terminar esse post, e sei que com certeza não consegui falar sobre tudo o que foi aquele dia. Mas, tá aqui, da melhor forma que consegui escrever, pra que eu tenha esse registro, esse texto sobre o dia mais incrível da minha vida.

Que delícia ser mãe desse menino.

[primeiro retrato que o papai fez da gente]

[Marvin com 40 dias ❤️]

{38 semanas}

Agora tá chegando de verdade.

Agora meu bebê pode chegar a qualquer momento. Tô aqui, tão preparada quanto se pode estar. Em meio a fisioterapia, acupuntura e consultas com as parteiras, a gente já deixou a casa pronta pra receber nosso filho. Pegamos a lista do que precisa pra ter o parto em casa, e tá tudo separado, tudo pronto.

Acabou o stress do trabalho, o cansaço de todos os dias, e agora to de licença maternidade. Aqui eu tenho o previlégio de ter um ano pra ficar com meu filho.

E com isso sobrou tempo de olhar mais pra mim. De prestar atenção nos meus sentimentos, no meu corpo, nessa mudança tão grande que parece entrar de todos os lados.

Existe estar pronta? Pronta pra ser mãe de uma pessoa que eu não conheço?

Eu tenho tantos medos, inseguranças, questionamentos de vida, que tem dias que me sinto bem longe de estar pronta.

O que está realmente pra acontecer a qualquer momento? Vai nascer de mim uma pessoa que é parte minha, parte do Léo, mas que ao mesmo tempo é alguém completamente diferente da gente. Um bebê que vai depender da gente totalmente pra tudo, e que vai mudar nossa vida pra sempre.

A gente tá aqui em casa esses dias vivendo os últimos dias como um casal. Muito em breve vamos ter pra sempre um filho. E ter um filho independe de como estaremos como casal. Entende que maluco?

A gravidez precisa mesmo ter essa espera. Precisa dessas lições enormes que só ela é capaz de trazer.

Pra mim tá sendo aprender a não ter controle de tudo. Eu não sei quando o Marvin vai nascer, e tudo bem. Eu não sei como vai ser, e tudo bem também. Não sei se vai ser difícil ou extremamente difícil a adaptação, e tudo bem também. Mas aqui dá pra ver que a Marcela de antes continua aqui. Viram que eu só me preparo para o difícil? Então.

E aí eu, que sempre fui gorda e feliz com meu corpo como ele é, to tendo que aceitar um novo corpo. Uma barriga grande, cheia de estrias que nunca tive. Passei a gravidez toda não mostrando minha barriga por completo, porque eu nunca achei ela linda. Mas, as estrias não vão embora, né? Mesmo depois, elas vão continuar aqui, porque agora elas fazem parte do meu corpo. Hoje eu pedi pro Léo fazer uma foto da barriga de frente. Assim, como eu estou. E olhando pra foto, eu continuo eu. Mesmo com estrias na barriga. Se eu quiser, posso até deixar mais poético e dizer que cada estria é um caminho novo que tive que aprender nessa gravidez.

E foram muitos caminhos, realmente. Eu tive que me aceitar grávida, mudei de cidade, de trabalho, de casa, fiz uma nova imigração, aceitei ficar longe da família e agora também de amigos, enfrentei meus medos internos e externos, inseguranças, incertezas, fiquei enjoada até o sexto mês, tive que aprender a expor meus sentimentos, a chorar mais, a deixar ir, a me desprender, a dormir mais, a me desligar, a me permitir ficar cansada.

E não to querendo dizer que tudo é lindo, maravilhoso, e que é um momento mágico. Eu to tentando deixar mais real mesmo. Falar que é difícil carregar um bebê, que dói, que o corpo muda, que dá medo pra caramba. Que tem dias que eu entro em desespero, e me  pergunto onde eu tava com a cabeça quando achei que tudo bem eu ser mãe.

Mas, hoje, com 38 semanas e 4 dias, eu posso dizer que eu to feliz que tomei a decisão de ter esse bebê. Talvez eu  fique grávida de novo daqui um tempo, mas nunca mais vou estar grávida desse bebê aqui. Do Marvin, que me responde quando eu converso com ele, que parece reconhecer quando o pai dele conversa com ele, que confiou em mim essa tarefa doida de trazer ele nesse mundo.

É, talvez essa aceitação é o estar pronta.

Talvez o estar pronta não é fazer tudo certo. É fazer o que você acredita ser o melhor pra você, e sua família.

E olha, vou te dizer, que família incrível que a gente tá começando aqui.

Vem, Marvin. Pode vir, no dia que você quiser, como você quiser. Sua mãe e seu pai estão tão prontos quanto se pode estar.

 

{20 semanas}

Domingo, dia 18, chegou metade da gravidez.

Passou rápido, e ao mesmo tempo bem devagar.

Não posso dizer que estou amando estar grávida. Tem dias que são difíceis, que o enjoo não ajuda, e que parece que não importa o quanto eu durma, eu vou estar cansada. Mas, eu posso dizer que amo esse bebê.

Tem dias, como hoje, que toda a comida disponível para o almoço me fez enjoar, e eu chorei porque estava com fome e não conseguia comer. Mas dai, vem o marido, e me trouxe dois sanduíches, incluindo um só de tomate ❤ e aí tudo passa bem rapidinho.

No fim, a gente quis saber quem tava aqui dentro. Pensamos e pensamos, mas como a gente já tinha nome tanto pra menina quanto pra menino, a gente queria começar logo a chamar pelo nome.

O Marvin está previsto pra chegar em novembro 🙂

Mesmo assim, eu continuo não querendo que tudo seja só de uma cor, ou só de futebol, ou só de “menino”. Até porque pra gente, isso é pura besteira. Criança pode gostar do que ela quiser (até adultos na verdade, né). Eu quero que nosso menininho escolha as coisas que ele goste por ele mesmo, e não porque a sociedade espera que por ser menino ele tem que gostar de certas coisas.

Um dia de cada vez, agora falta só metade pra conhecer esse pequeno.

{Expecting Marvin}

Fotos do papai, exatamente no dia que completamos 20 semanas ❤

20semanas_LS_1620semanas_LS_2720semanas_LS_8020semanas_LS_104

{♥}

{Esse post é longo, foi difícil de escrever, tá meio sem ordem porque eu queria escrever muitas coisas, mas no fim, ele tá como deveria e exatamente como eu me sinto grávida: com um monte de coisa/sentimento acontecendo ao mesmo tempo}

Tem um tempo que tô querendo vir aqui e escrever. Mas talvez só hoje que consegui formular melhor dentro de mim tudo que está acontecendo.

Há um pouco mais de 100 dias eu descobri que tem uma pessoinha crescendo dentro de mim. Assim, completamente de surpresa. Eu interpretei como se o universo tivesse decidido pra mim minha eterna questão de ser ou não mãe. E continuar grávida foi uma escolha. Escolhi ter esse bebê, escolhi ser mãe.

No meio dessa mudança já grande na vida, veio uma outra, a proposta de mudar de cidade, onde não conhecemos ninguém, nem nada. Escolhemos mudar. Léo disse que o bebê veio pra mexer a vida da gente. Acredito que ele esteja certo.

Mas além de todas essas mudanças externas, vem a maior de todas, o que está acontecendo comigo. E não digo só da barriga crescendo, da falta de controle que tenho do meu corpo, do sono incontrolável, dos enjoos intermináveis, de sentir um bebê se mexendo todo dia dentro de mim. Eu digo da minha transformação como pessoa, de me aceitar diferente, fora do controle de mim mesma, me conhecendo novamente.

A gente se mudou tem quase duas semanas. E a primeira semana aqui foi intensa. Foi correria com documentos, consulta com a parteira, procurando casa, e além de tudo, se adaptar a um outro Canada. A verdade é que por 5 anos não estivemos no Canadá, a gente tava mesmo no Quebec. Parece bobeira dizer isso, mas não é. Tudo é diferente, os processos, a vida, as pessoas.

Durante essa primeira semana eu fiquei no meu canto. Eu respirei fundo incontáveis vezes, me perguntei se foi a decisão certa, senti falta dos meus amigos, da minha família, e fiquei tentando entender todos os sentimentos e como eu respondia a cada um deles.

No começo da segunda semana eu consegui me achar de volta. Só então eu decidi abraçar e aceitar de verdade tudo isso que está acontecendo comigo nesse momento.

Consegui entender que a mudança veio sim na hora certa. Estar grávida é complexo. Ao mesmo tempo que é algo bonito, é um monte de sentimento novo, e da medo pra caramba.

Eu estava me preparando há anos pra ser mãe e nem sabia. Eu lia blogs, reportagens, seguia paginas, tudo que falava sobre maternidade real, sobre parto natural, amamentação, sobre ser mulher, sobre parir. Leio tudo isso há tanto tempo, que talvez por isso quando escolhi ser mãe eu sabia o que eu queria pra gente. Mas, nem toda leitura do mundo te prepara para tudo que você sente.

Pra mim começou pela total perca de controle do meu corpo e personalidade. Eu, que nunca tive sono, hoje durmo 12 horas no dia sem nenhum esforço, e ainda tiro um cochilo no meio da tarde. Fome? Muita! Consigo comer? Não. Tenho enjoos bizarros, e teve dias que tudo que eu consegui comer foi melancia. Marcela que é mega controlada e não demonstra sentimentos? Sumiu! Já chorei no trabalho, já chorei com amigos, já tive crise de existência, já chorei no trailer do Star Wars. Marcela inteligente, melhor aluna/funcionária? Esses dias tive que usar calculadora pra fazer multiplicação. Gente, BABY BRAINS EXISTE.

Tem o medo de me perder. Como pessoa, como mulher, como tudo que eu sou. Mas pra isso tem a terapia, e a melhor terapeuta que me fez entender um pouco mais todo esse processo dentro de mim, e me fez aceitar ainda mais esse momento da minha vida.

Dai vem o mundo externo.

Tem pessoas que se afastam, pessoas que te criticam, pessoas que não entendem nada do que você tá passando, nem mesmo se você quiser explicar. E isso é um processo difícil e mais triste que o normal. Me faz questionar, ver pra onde estou indo, as escolhas que estou fazendo.

Mas dai tem também pessoas que te abraçam, te cuidam, te amam e estendem esse amor pra esse serzinho tão pequeno. Pessoas que te abraçam forte, que te dizem que tá tudo bem. E aí você sente lá no fundo que tá realmente tudo bem.

Tem todo mundo querendo dar opinião sobre qualquer coisa que eu não perguntei. Ah mas parto natural? Amamentação? Mas nossa, ter parto em casa? Doula? Mas já sente mexer assim tão cedo? Como assim não quer saber o sexo? Mas isso, e aquilo e mais tudo que vocês possam pensar. Estar grávida aparentemente é abrir sua vida toda para as pessoas falarem o que quiserem, mesmo se você não abriu porra nenhuma. {Obrigada a Tchulim, pelo malavilhoso vídeo da Cara de Alface que me faz seguir em frente e continuar tendo pessoas na minha vida sem querer matar todo mundo}

E ai tem o amor.

Um amor pela família que eu e Léo estamos construindo que é algo muito, muito maluco. Eu me sinto cuidada, amparada, amada. Léo me faz lembrar que eu posso chorar, me sentir triste, feliz, posso tirar sonecas no meio da tarde, ou ficar jogando Zelda até cansar, que eu posso sim ser egoísta e pensar só em mim e no bebezin. {Não vou fazer uma declaração enorme pra vc Baby, pq to te falando TODOS OS DIAS tudo que preciso, mas obrigada por tudo}

Em novembro bebezin chega por aqui, queremos supresa pra saber o sexo, já tem dois nomes definidos, e estamos estudando, conversando e pesquisando tudo o que a gente acredita que seja melhor pra gente como família.

A gravidez não é tão legal, mas o dia que eu vi um bebê de verdade no ultrassom, foi sem dúvida o dia mais indescritível da minha vida.

Esse texto eu demorei uns 5 dias pra terminar. Sem exagero.

E espero que o próximo não demore tanto, porque escrever me ajuda a organizar todos esses sentimentos que existem em mim. {como já disse minha amiga semana passada}

Muitas mudanças, muita coisa acontecendo, e eu sei que ainda é só o começo.

 

2016

Último dia do ano.

2016 eu me formei. Parecia que nunca ia chegar o dia da última prova, mas chegou, e eu terminei o sexto semestre, o que me deu um diploma.

2016 eu viajei. Eu vi lugares novos, peguei muita estrada, andei horrores, comi comidas diferentes e deliciosas, vi um linx na natureza, comi blueberries direto do pé.

2016 eu trabalhei. Eu comecei a trabalhar com pessoas incríveis, numa empresa que me enche de orgulho, e hoje posso dizer que trabalho com amigos, fazendo o que eu amo.

2016 eu me diverti. Com a família, com os melhores amigos que eu poderia ter, com o marido, comigo mesma. Me diverti de chorar de rir, de acordar no dia seguinte com dor na barriga das risadas da noite anterior. Me diverti jogando em casa, fazendo picnic no parque, num jantar aqui ou na casa de alguém, no cinema, na rua.

2016 eu amei. Over and over again. Passei dias no sofá aproveitando uma séria velha ou nova com ele, dividi todas as alegrias, tristezas, dúvidas e incertezas da vida, dividi sonhos, medos, pensamentos, realizações. Cozinhamos, lavamos louça. Choramos e rimos juntos. Conversamos sobre tudo ou sobre nada. Dormimos e acordamos juntos.

2016 eu me despedi da Molly. Assim, inesperado, praticamente de um dia pro outro. Eu não tive tempo de deixar ela comer o que ela quisesse, ou de deixar ela dormir todos os dias na cama. Eu só tive tempo de dizer que eu a amava, e que ela foi a melhor filha que eu poderia ter tido.

2016 eu cresci. Comecei a me exercitar, a comer melhor, a querer melhorar como pessoa, a ter mais empatia, a querer aprender mais, e isso tudo é um processo contínuo.

2016 eu senti saudade. Eu ainda sinto. Saudade do Fred e da Molly. Saudade da minha família, saudade de estar na praia tomando água de coco, saudade de acordar e ir na padaria comer um pão na chapa com vitamina de laranja. Saudade de ir num show do Otto, saudade de passar a noite toda rindo com meus primos. Saudade de comer um bolo do Osvaldo, ou de ir na minha vó.

Em 2016 aconteceu muita coisa. Como todo ano, aprendi muita coisa e passou rápido sendo devagar. Adotamos um gato que não estava nos planos, arrumamos a sala de jantar, joguei videogame, li, escrevi no moleskine, ouvi música, falei muito, compartilhei pensamentos, e tanta coisa mais.

Não tá sendo um post bonito, ou inspirador, mas é um bom resumo de tudo que ficou marcado nesse ano, um pouco de tudo que aconteceu, bom ou ruim, bonito ou não.

Que venha um ano novo, os 33.screen-shot-2016-12-31-at-12-22-57-pm