Let it go. Let it be.

Talvez eu tenha demorado demais pra entender e aceitar muitas coisas na vida, e isso que vou escrever certamente é uma delas.

Precisamos deixar as pessoas irem embora da nossa vida, e isso não significa que tenha algo de errado. Simplesmente significa que hoje, nossos caminhos são diferentes, e que a vida é assim mesmo.

Eu normalmente fico chateada, fico tentando entender o que eu fiz errado, fico repensando, fico triste. Triste porque é um buraquinho que se abre de uma saudade que não é gostosa, não é recíproca.

Dai na aula da última sexta, minha professora de Stress Management falou algo que fez todo sentido: por que a gente tem mania de querer estar com quem não quer a gente, sendo que temos em nossa volta pessoas querendo? Então, vamos parar de gastar nossa energia se preocupando com o porque uma pessoa não gosta da gente, ou nos quer longe, e passar nosso tempo com quem gosta da gente e nos quer perto? Vamos!

So, LET IT GO. LET IT BE.

Senhora Vírus

Quando eu tinha uns 13 anos peguei meningite viral. 40 e tantos dias de repouso absoluto.

Dai com 25, veio a H1N1. Horrível, não conseguia respirar, também repouso absoluto, não podia fazer nada.

E agora, com 31 veio a tal pericardite. Consegui a manha de pegar um vírus que vai pra membrana do coração. E adivinha só? Repouso absoluto.

Passei uma noite no hospital, e quando voltei, ainda pensei “nhé, dá nada, só um repouso mas consigo fazer tudo normal”. Só que não né. De levantar e ir fazer xixi, parece que corri uma maratona e fico sem ar o dia todo. Deitar? Nhé, pra que? Só consigo dormir deitada.

Voltei pra casa segunda a tarde, e hoje, quinta a noite ainda to sem ar, ainda tenho uma dor no peito e braço do lado esquerdo que já cansei e falta de ar no nível não consigo falar muito.

Aqui vos fala a senhora vírus. Deve ter algum dispositivo no meu corpo que olha os vírus mais bizarros andando por ai e fala “poxa, que vírus lindinho, vem aqui pra esse corpo, vamos te receber super bem!”, só pode!

Desculpa tanta reclamação, ta? Mas os dias estão lerdinhos, e cheio de dores.

E um muito obrigada para o marido, que ta me cuidando, me fazendo companhia, cozinhando, cuidando da casa, da Molly, da vida, e ainda tem tempo de me dar amor e massagem.

Mas calma, isso vai passar também.

Quase abril!

O ano terminou ontem e de repente amanhã já é abril sabe?

Hoje eu to naqueles dias que acordar foi tipo tortura. Cansada é meu segundo nome já, e confesso que estudar 10 matérias de uma vez está sendo até agora o maior desafio do mundo.

Ai no meio de provas e mil e um projetos pra finalizar, eu resolvi começar a fazer Yoga. Por que? Porque eu quero fazer alguma coisa com meu corpo. E não tem nada a ver com meu peso, já falei mil vezes que sou bem feliz com o corpo que eu tenho, mesmo que ele esteja acima do “peso ideal” que o povo fala. Pra mim peso ideal é o que eu me sinto feliz e bem.

Mas, é por uma questão de saúde mesmo, de querer ter mais disposição, de cuidar de mim. Aprender a respirar melhor, ter mais flexibilidade e tudo mais. E pra quem passou quase 30 anos procrastinando isso, chegou a hora de mudar né? Escolhi o Yoga porque acho que existe um bom equilíbrio de corpo e mente, e sei que isso vai me fazer bem. Me sinto velha falando tudo isso, mas não acho isso ruim, vai entender né?

E sobre o tempo passar rápido, na verdade não foi tão rápido assim. Mas por aqui foi vivido um dia após o outro, bem devagar. Tenho impressão que nos últimos 5 meses passei por tanta coisa, cada uma com sua dificuldade particular a superar, e definitivamente aprendi um milhão de coisas. E acho que é isso que eu vim escrever.

Eu comecei a fazer terapia há um pouco mais de dois anos atrás, e acho que até aqui já falei algumas vezes do quanto me ajudou em várias questões da minha vida. Porém, justo no meio do furacão que passou por aqui, minha psicóloga estava de licença, aliás, ainda está.

Confesso que sozinha foi muito mais difícil me achar no meio de tudo, respirar, definir o que eu quero, tentar me erguer, me abrir, não me frustrar, não desistir, e viver um dia de cada vez. Porque realmente nada como um dia após o outro para que as coisas comecem a melhorar, mas isso só é verdade se VOCÊ quer que melhore.

Eu passei muitos dias me perguntando porquê eu estava passando por tudo ao mesmo tempo, chorando, tentando achar solução imediata, e a verdade é que não existe uma. Existe entender, conversar, conversar, conversar, pedir ajuda pra quem você ama e confia, e aprender. Aprender com erros, com acertos, com as dores, com o amor, com a perda, com VOCÊ. A pergunta que eu mais me fiz nesse tempo, como EU estou me sentindo? E ninguém te conhece melhor do que você mesmo. Então, não tenha medo de querer entender o seu lugar, o seu sentimento, a sua escolha.

Agora eu acredito que o furacão tenha ido embora. Dias mais bonitos e ensolarados chegaram, e eu consegui voltar a ter minha segurança em tudo. Segurança de ser eu e de me manter assim.

E eu sei que daqui a pouco chega julho, e dezembro, e o ano novo. Nesse meio tempo eu vou tentando continuar a dar um passo de cada vez, não esquecer de respirar e nem me perder no meio de qualquer coisa que aconteça.

O inferno astras ás vezes ajuda ta vendo? Mil anos depois voltei aqui e com um post enorme! Que abril seja incrível! Vem primavera, to te esperando ❤

😉

E se tudo isso nunca passar? E se a dor não diminuir?

E se eu ficar, dar tempo ao tempo, mas nem o tempo ajudar?

Eu to com medo.

Eu to me sentindo tão sozinha.

Eu só queria que nunca tivesse acontecido.

Reclama Marcela, reclama.

Verdade seja dita, o inverno de Montreal só é suportável quando sua vida tá boa.

E minha vida ta uma zona. Mil coisas pra resolver, e ai conversa, conversa, conversa, e não resolve. E tenta ir pra escola, passa frio, e tem a ideia de ir passear, e ai lembra que ta -20, e passeio significa congelar em 5 minutos na rua.

Pra dar um plus, 5 da tarde é noite, e 7 da manhã também.

É bem compreensível ter tantos canadenses em depressão. Esse inverno só te puxa pra baixo.

Mas coitado né, não é totalmente culpa dele. É o que eu disse, se tudo ta bem, da pra aguentar.

Mas e agora que não ta bem? Ainda faltam bem uns 70 dias de temperaturas bem abaixo de zero, de neve, de tombos. Como faz?

Ainda não sei. Ainda to tentando aqui. Ando me virando com música, com livro, com as essays do Einstein que tenho que ler pra aula, e lembrei hoje do blog.

Talvez tudo isso junto, faça eu me sentir menos sozinha.

E juro que nem to na TPM.

Voltando…

Começando pelo que ouço, alto, quase gritando, é Otto. E hoje eu sei que com Otto e Camelo eu enfrento tudo, manda ai, eu juro que aguento.

Eu to de férias, é, essa que eu tava praticamente contando os segundos pra chegar sabe? Ela ta aqui tem quase 10 dias já. Mas, ela ta diferente de como eu tava imaginando, e me dando mais trabalho do que eu gostaria.

Ando com mil projetos na cabeça e um só no coração, e essa briga interna aqui ocupa tempo.

Mas, um dos projetos ta aqui, meu blog de volta, vivinho, de cara nova, de endereço fixo de novo (te amo .com).

E lembrei que essa vai ser provavelmente a melhor maneira de enfrentar dias de inverno, longos e escuros como eles estão.

Então, que venham mais posts, mais sonhos, mais músicas, mais filmes, mais eu.

Processando…

No meio de muita coisa na minha cabeça, no meu coração, e na minha vida, eu vim só pra deixar registrado duas músicas que vivem comigo esses últimos tempos, e que significa um milhão de coisas pra mim agora.

Só pra não se perder por ai enquanto eu to processando a vida.