Quase abril!

O ano terminou ontem e de repente amanhã já é abril sabe?

Hoje eu to naqueles dias que acordar foi tipo tortura. Cansada é meu segundo nome já, e confesso que estudar 10 matérias de uma vez está sendo até agora o maior desafio do mundo.

Ai no meio de provas e mil e um projetos pra finalizar, eu resolvi começar a fazer Yoga. Por que? Porque eu quero fazer alguma coisa com meu corpo. E não tem nada a ver com meu peso, já falei mil vezes que sou bem feliz com o corpo que eu tenho, mesmo que ele esteja acima do “peso ideal” que o povo fala. Pra mim peso ideal é o que eu me sinto feliz e bem.

Mas, é por uma questão de saúde mesmo, de querer ter mais disposição, de cuidar de mim. Aprender a respirar melhor, ter mais flexibilidade e tudo mais. E pra quem passou quase 30 anos procrastinando isso, chegou a hora de mudar né? Escolhi o Yoga porque acho que existe um bom equilíbrio de corpo e mente, e sei que isso vai me fazer bem. Me sinto velha falando tudo isso, mas não acho isso ruim, vai entender né?

E sobre o tempo passar rápido, na verdade não foi tão rápido assim. Mas por aqui foi vivido um dia após o outro, bem devagar. Tenho impressão que nos últimos 5 meses passei por tanta coisa, cada uma com sua dificuldade particular a superar, e definitivamente aprendi um milhão de coisas. E acho que é isso que eu vim escrever.

Eu comecei a fazer terapia há um pouco mais de dois anos atrás, e acho que até aqui já falei algumas vezes do quanto me ajudou em várias questões da minha vida. Porém, justo no meio do furacão que passou por aqui, minha psicóloga estava de licença, aliás, ainda está.

Confesso que sozinha foi muito mais difícil me achar no meio de tudo, respirar, definir o que eu quero, tentar me erguer, me abrir, não me frustrar, não desistir, e viver um dia de cada vez. Porque realmente nada como um dia após o outro para que as coisas comecem a melhorar, mas isso só é verdade se VOCÊ quer que melhore.

Eu passei muitos dias me perguntando porquê eu estava passando por tudo ao mesmo tempo, chorando, tentando achar solução imediata, e a verdade é que não existe uma. Existe entender, conversar, conversar, conversar, pedir ajuda pra quem você ama e confia, e aprender. Aprender com erros, com acertos, com as dores, com o amor, com a perda, com VOCÊ. A pergunta que eu mais me fiz nesse tempo, como EU estou me sentindo? E ninguém te conhece melhor do que você mesmo. Então, não tenha medo de querer entender o seu lugar, o seu sentimento, a sua escolha.

Agora eu acredito que o furacão tenha ido embora. Dias mais bonitos e ensolarados chegaram, e eu consegui voltar a ter minha segurança em tudo. Segurança de ser eu e de me manter assim.

E eu sei que daqui a pouco chega julho, e dezembro, e o ano novo. Nesse meio tempo eu vou tentando continuar a dar um passo de cada vez, não esquecer de respirar e nem me perder no meio de qualquer coisa que aconteça.

O inferno astras ás vezes ajuda ta vendo? Mil anos depois voltei aqui e com um post enorme! Que abril seja incrível! Vem primavera, to te esperando ❤

😉

E se tudo isso nunca passar? E se a dor não diminuir?

E se eu ficar, dar tempo ao tempo, mas nem o tempo ajudar?

Eu to com medo.

Eu to me sentindo tão sozinha.

Eu só queria que nunca tivesse acontecido.

Reclama Marcela, reclama.

Verdade seja dita, o inverno de Montreal só é suportável quando sua vida tá boa.

E minha vida ta uma zona. Mil coisas pra resolver, e ai conversa, conversa, conversa, e não resolve. E tenta ir pra escola, passa frio, e tem a ideia de ir passear, e ai lembra que ta -20, e passeio significa congelar em 5 minutos na rua.

Pra dar um plus, 5 da tarde é noite, e 7 da manhã também.

É bem compreensível ter tantos canadenses em depressão. Esse inverno só te puxa pra baixo.

Mas coitado né, não é totalmente culpa dele. É o que eu disse, se tudo ta bem, da pra aguentar.

Mas e agora que não ta bem? Ainda faltam bem uns 70 dias de temperaturas bem abaixo de zero, de neve, de tombos. Como faz?

Ainda não sei. Ainda to tentando aqui. Ando me virando com música, com livro, com as essays do Einstein que tenho que ler pra aula, e lembrei hoje do blog.

Talvez tudo isso junto, faça eu me sentir menos sozinha.

E juro que nem to na TPM.

Voltando…

Começando pelo que ouço, alto, quase gritando, é Otto. E hoje eu sei que com Otto e Camelo eu enfrento tudo, manda ai, eu juro que aguento.

Eu to de férias, é, essa que eu tava praticamente contando os segundos pra chegar sabe? Ela ta aqui tem quase 10 dias já. Mas, ela ta diferente de como eu tava imaginando, e me dando mais trabalho do que eu gostaria.

Ando com mil projetos na cabeça e um só no coração, e essa briga interna aqui ocupa tempo.

Mas, um dos projetos ta aqui, meu blog de volta, vivinho, de cara nova, de endereço fixo de novo (te amo .com).

E lembrei que essa vai ser provavelmente a melhor maneira de enfrentar dias de inverno, longos e escuros como eles estão.

Então, que venham mais posts, mais sonhos, mais músicas, mais filmes, mais eu.

Processando…

No meio de muita coisa na minha cabeça, no meu coração, e na minha vida, eu vim só pra deixar registrado duas músicas que vivem comigo esses últimos tempos, e que significa um milhão de coisas pra mim agora.

Só pra não se perder por ai enquanto eu to processando a vida.

construindo

Talvez por causa das minhas 4 horas semanais de aula de knowledge (conhecimento), ou talvez porque ontem foi minha última terapia do ano (licença maternidade da psicóloga), ou talvez só porque sim, eu tenho pensado demais sobre tudo na minha vida.

E hoje, um desses dias particularmente difíceis, no meio de uma TPM muito forte, de um energético as 8 da manhã pra ver se eu conseguiria aguentar acordada, entre algum minuto das minhas 9 horas de aula do dia, minha amiga colocou uma foto minha e do marido, com uma frase que resumiu meus pensamentos:

amor de verdade é construído; tijolo por tijolo.

E é exatamente isso, amor de verdade é construído.

Esse amor aqui de casa não é de novela, de foto feliz no facebook todo dia. É um amor real, cheio de diferenças, de problemas, de TPM, de acordos (ou não), de louça na pia e casa suja, de dinheiro curto. É amor que chora, que ri, que enfrenta ter um filho doente, que aprende a ver o sol com -40 de temperatura, que tem preguiça.

Mas o que faz dele ser assim, tão único pra minha vida, é que ele ta aqui, presente em mim como uma extensão de mim mesma.

Obrigada, Baby. Obrigada por acreditar em mim, por nunca me deixar desistir, por me amar, me respeitar, por ser meu melhor amigo, e por ter me dado uma família tão linda como a nossa. Eu não canso de falar, esse nosso amor é muito maior do que eu sonhei ter um dia pra mim.

Esse amor é todo meu, todo seu, essa vida é toda nossa. Tijolo por tijolo mesmo.

19 pra 30.

Eu queria ter folga da minha cabeça. Queria tirar um dia sem pensar tudo que penso. Será que dá?

Mas tirando um pouco o drama de fazer 30, o que realmente ta significando pra mim isso? O que vai mudar? Acho que nada muito significativo. Vai mudar que ao invés do 2 na frente de algum número vai ter o 3, vai mudar minha pele, provavelmente minha pressa. Mas tudo coisa que não adianta sofrer né? Faz parte da vida.

Mas, de tudo que tenho na vida que veio com a idade, o que me faz ter orgulho imenso, é a maturidade que veio com ela. Hoje acontecem algumas coisas na minha vida que consigo analisar, pensar, e processar, lembro bem de como eu era com 20, e nossa, se eu continuasse doida daquele jeito nem sei o que seria dessa pessoa que voz escreve. Isso me faz feliz. Eu ainda sou eu, sou intensa, sou dramática, sou muito, mas de uma forma que eu pelo menos vejo mais leve.

E tem mais um monte de coisa que eu quero escrever aqui antes do dia 19. Quero falar da terapia, do casamento, do Fred, das aulas e projetos. Mas, falando em aula eu tenho prova hoje e preciso começar a escrever, então vou ter que deixar pra outro dia.

Feliz que começou uma semana ensolarada depois de um fim de semana muito feliz.

{Otto porque ele me inspira a dançar na rua ♥}

30 dias pra 30 anos

Eu deveria ter começado isso ontem, mas tive prova hoje cedo, então o jeito foi fazer no tempo que deu, que é agora.

Dia 19 de abril de 2014 vou comemorar 30 anos. Pois é, a idade que eu falava e parecia tão longe.

Tantos sonhos que coloquei nessa idade, tantos projetos, tantos tantos.

Ontem eu estava estudando na biblioteca pra prova de hoje, e algumas pessoas vieram me pedir ajuda pra entender os problemas de accounting, ajudei todos, e hoje depois da prova elas vieram me agradecer que lembraram de várias coisas na prova porque ajudei, e tudo isso me lembrou do meu sonho mais antigo de todos: ser professora.

Eu sei lá, devia ter uns 8 anos quando decorei a tabuada toda, e lembro de falar: vou ser professora de matemática.

Mas não sou. Ainda não. Isso é ruim? Não, mas me faz pensar em tudo que já aconteceu, tudo que escolhi.

E aqui estou eu, no primeiro dia da primavera canadense, com muita neve ainda, frio e um dia cinza, pensando em tudo que está acontecendo agora na minha vida, ouvindo Sandy e Junior porque eu ainda gosto mesmo depois de 15 anos, dando carinho pra Fred e Molly, me perguntando se realmente nada é por acaso e se posso acreditar que depois da tempestade vem o sol.

Estudante, casada com o homem que me completa, mãe de dois bulldogs, enfrentando um câncer do meu Fred, vegetariana e feminista, morando numa cidade que faz mais frio que o Polo Norte. Hoje essa sou eu com 29 anos e me perguntando: quem eu quero ser com 30 e poucos?

30 dias pra pensar em tudo isso e mais um pouco, primeiro post de alguns que pretendo fazer até lá.

Muito drama, muito tudo. Get ready.

Go!

{1 vídeo por post pra saber o que ando vendo/ouvindo}

92.

Em 2 dias algumas coisas bizarras aconteceram em relação a ‘padrão de beleza’. E eu decidi finalmente escrever algo mais sério a respeito.

Antes de tudo, que fique muito claro que não julgo pessoas que estejam acima do peso (ou não) e estão tentando emagrecer. Acho saudável, e sou a favor sim de mudanças desde que o motivo seja o bem estar da pessoa, e não apenas para atingir um padrão de beleza, que na minha cabeça é tão absurdo que nem existe.

Eu hoje tenho 92kg. Isso mesmo, 92. Uau né? Que enorme de gorda essa guria. Será?

Ouvi ontem no corredor da escola: ninguém com mais de 70kg pode ser feliz. E pior, não é a primeira vez que ouvi isso na minha vida.

Engraçado que tem um limite de peso pra ser feliz. E se eu hoje falar que sou 20kg mais feliz que você? Ou 20kg mais bonita? 20kg mais realizada? Te ofendo? É só mudar a medida que tudo muda. Ser 20kg mais magra que alguém não diz absolutamente nada sobre você.

Eu sou tão bem resolvida com meu corpo. Sou tão feliz com ele. Me lembro de muitas pessoas que passaram pela minha vida que me falavam que se eu emagrecesse ia ficar linda, e eu sempre pensava, nossa, mas me acho tão linda já!

A verdade é que parei de sofrer muitos anos atrás quando insistia em comprar uma calça 42 e nunca entrava.  Quando você se aceita como você é, se acha linda por isso, e não pelo que a sociedade diz o que tem que ser, você não tem mais medo de comprar a calça 46. E eu me aceitei assim. Eu me amo assim, desse jeitinho que eu sou, e não é de hoje. Sou assim tem muito tempo.

Me preocupa milhões de pessoas, principalmente as mulheres, que ouvem isso e imagino o que acontece com a auto estima delas. Eu nem sei o que escrever na verdade, mas vou tentar.

Se desprendam disso. Seja feliz como você é. O padrão de beleza que a sociedade impõe não existe. Mesmo que você fique magra (o que é completamente relativo pra cada corpo) só isso não traz felicidade a ninguém.

O que estou tentando dizer é, você precisa se amar. Gorda, magra, alta, baixa, com espinha no rosto, com namorado, solteira, casada. Você é a pessoa mais importante da sua vida. E quando você entender isso, tudo vai ser mais fácil, mais leve.

Não tenha medo do que as pessoas vão te dizer, porque muitas delas o fazem porque estão tão perdidas que é mais fácil falar do outro.

Se eu fosse me ofender com pessoas próximas a mim que falam que estão gordas (todas com no máximo 65kg) eu teria que parar de falar com muita gente que eu gosto. Pra mim todas elas são tão lindas.

É muito fácil viver isso tudo fora do Brasil. Aqui as pessoas se vestem como querem independente do corpo que elas tem. Vejo uma liberdade muito maior aqui. Quando ouço problemas com peso sendo discutidos, são sempre de estrangeiros. Talvez esse até tenha sido um dos motivos que eu me adaptei fácil por aqui.

E o mais engraçado de tudo isso, é que sei que vão ter pessoas que vão ler até aqui e ainda tão pensando: nossa, ela pesa 92kg, que horror.

Seja livre de rótulos pessoal.

Boa semana.