acordei com a agonia de querer.
estou presa na ansiedade que meu coração pulsa descontrolado pra ir.
quanto falta pra cada pedaço se concretizar?
preciso mudar, sei que sim, preciso seguir como nunca fiz.
preciso aprender a esquecer a palavra que tanto magoa, o choro que tanto escorreu, os erros que tanto mudaram.
preciso seguir.
eu vejo tão perto.
estou com vontade de chorar.
e você, mesmo depois de tanto, continua a enxugar cada lágrima que cai.
ah, se não fosse todo esse amor, que pessoa amarga eu seria.

tenho medo desse medo constante no meu coração.
tenho dor de pensar em não conseguir.
tenho e ao mesmo tempo não.
faço loucuras por pensar em errar.
quero sair desse lugar que me prende entre lágrimas.
quero saber dizer do meu amor.
vou te dizer o que sinto.
quero entender o que você sente.
quero gritar e tirar essa angustia de mim.
a verdade é uma só.

hoje nem todas as palavras que estão no meu coração e na minha cabeça fazem sentido, nem tudo o que quero e preciso dizer quer ser dito.
resta então a música, que me faz eu tantas vezes que estou assim.
e sozinha no fundo escuto com o fone de ouvido, com o som no último volume, escuto o que me faz tão bem, e ao mesmo tempo te faz tão mal.

eu falo o que meu coração bobo sente.
Eu vivo o que ele me proporciona.

Eu vivo do novo que me transforma,
do amor que me consome.

Eu vejo nas entrelinhas a repiração forte,
o desejo de ser, de não ser.

Eu ouço de longe o grito agudo,
a música tocada,
o choro baixinho.

Eu sinto um arrepio gelado no pescoço,
o aperto contra a parede,
sinto eles, você.

Cada pedaço do meu corpo grita aquilo que meu coração fala.
Cada canto da minha vida expressa meu eu, meu tudo, meu nada.
E em cada tudo de mim, eu vejo você, vejo nós, vejo sempre, vejo nunca.

O que aqui escrevi, só a mim diz respeito.
Eu espero poder respeitar o meu eu.
E assim, deixo esse espaço em branco, para que o que antes havia, não suma em meu coração, apenas nas palavras.
Elas foram ditas, e ao menos essa angústia aliviou.
Eu vou, porque meu amor está a me esperar, e é lá que vivo.